Quem é que, em algum momento da sua vida, não se interrogou sobre as suas origens, sobre de onde veio e de quem descende?

O interesse pela genealogia massificou-se nos últimos anos e é hoje um fenómeno à escala planetária, mercê da vulgarização da web, onde foram criados milhões de sítios, de grupos e de canais dedicados a este ramo do conhecimento.

Em Portugal os arquivos já começaram a colocar a sua documentação online e hoje quase todos os arquivos distritais têm os seus fundos paroquiais disponíveis, em maior ou menor grau. A Torre do Tombo já disponibiliza grandes quantidades de documentos, que muito têm ajudado quem procura prosseguir os seus estudos. Ainda assim, a maioria das pessoas ainda não consegue obter uma história factual e satisfatória sobre as suas origens e proveniência. Isso deve-se ao facto de a maior parte dos documentos só serem consultáveis nos arquivos – nacionais, locais e particulares – e em bibliotecas, não sendo sequer possível quantificá-los neste momento com algum grau de certeza. É a possibilidade de uma investigação nesses acervos documentais, por enquanto offline, que aqui se disponibiliza mediante uma pesquisa direccionada e profissional.

‘As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados’

Edmund Burke (1729-1797)

Publiquei até ao momento dois volumes com Cartas de Brasão de Armas anteriores ao terramoto de 1755, um volume com As Ordenanças e Milícias de Portugal, quatro volumes com as Habilitações nas Ordens Militares (Cristo, Avis e Santiago), dois volumes com a Mordomia-Mor da Casa Real (1755-1910), e o 1.º volume dos Decretamentos de Serviços (1688-1778).

Em 2001 publiquei, em co-autoria, um importante manuscrito genealógico do Séc. XVIII, corrigindo-o, anotando-o e actualizando-o, do punho de Manuel da Costa Juzarte de Brito, intitulado Livro Genealógico das Famílias desta cidade de Portalegre, hoje incontornável para o conhecimento e compreensão das famílias nobres dessa cidade e de alguns concelhos do Alto Alentejo. Em 2015 voltei a publicar, igualmente em co-autoria, um extenso estudo que se arrastou durante mais de uma década - Sampaio e Melo, da Torre de Moncorvo a Marialva. Famílias dos concelhos de Mêda e Vila Nova de Foz Côa.

Saiba mais

O LEJ

Enquanto investigador do Laboratório de Estudos Judaicos (LEJ) - ISCSP/Universidade de Lisboa, tenho desenvolvido alguns estudos genealógicos solicitados por descendentes de cristãos-novos condenados pela Inquisição, aos quais é permitido adquirir a cidadania portuguesa caso provem e documentem essa ligação.

O LEJ tem os seguintes objectivos específicos de investigação:

a) O levantamento tão exaustivo quanto possível das comunidades sefarditas históricas portuguesas, a sua caracterização e descrição, a sumarização da sua perseguição em termos históricos, e o estudo das mobilidades geográfica e social dos seus membros. A divulgação destes resultados, por diversas vias possíveis, constitui um objectivo necessário deste Laboratório;

b) O estudo e divulgação do património respectivo e o das comunidades actuais, em múltiplas situações, constitui um segundo domínio de actuação relevante;

c) A mediação, através da arte contemporânea, dos processos de recordar e esquecer o passado no refazer da memória e da identidade em situações de crise cultural provocada por mudanças sociais, políticas e económicas;

d) As ligações entre o património, a memória e a identidade na produção de lugares que proporcionam experiências culturais localizadas e “autênticas” que são incorporadas em circuitos de viagens e práticas de turismo global;

e) As formas como são articuladas as retóricas e práticas do desenvolvimento a partir de uma perspectiva sociocultural, como alternativa à visão estritamente economicista.

‘A vida dos mortos está na memória dos vivos.’

Cícero

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